Insensível. Amargo. Frio. Calculista.
Sim, estamos falando de Mad Max, o motorista de ônibus da linha Vila Olímpia-10. Pára tudo. Eu, mero mortal, já vi Mad Max ao meu lado. Várias vezes (apenas para compravar a veracidade do fato). E o mais incrível de tudo isso, é que ele é Brazuca e não pilota sua máquina negra e sanguinária movida a diesel através do deserto matando bad guys.
Ele dirige seu ônibus Mercedes Benz (sei lá que ano, mas é velho), sem cinto de segurança, sem medo (fearless man), usando apenas uma das mãos e um olhar de "don't breath, or I'll kill you", digno do blockbuster protagonizado por Mel Gibson, o Mad Max Hollywoodiano.
Na primeira vez que entrei naquele bus, próximo ao terminal Bandeira, às 6:30 da manhã, não cheguei a reparar nas feições e no perfil do protagonista daquele filme de aventura na Cidade de São Paulo. Aliás, quem se lembra de reparar no rosto do motorista ou do cobrador? Enfim, o ponto estava muito cheio e, imaginando que seria a melhor opção entrar por último, para não ficar expremido no corredor (salgada ilusão), entrei no bus. Fiquei limitado à uma pequena área próxima ao ser inanimado e, sentindo os movimentos bruscos e ágeis do ônibus, comecei a reparar na fonte de toda aquela ira.
Como já disse, estava lá ele, sentado e largado, cinto solto ao chão, apenas uma das mãos sobre o volante, a imagem da insensibilidade em seu rosto e muita veia com sangue em seus olhos. Mad Max. Fiquei atônito e paralisado frente a um dos maiores ícones do cinema na década de 80. Mas, ao mesmo tempo, senti um certo frio na barriga. Um medo, de saber que minha vida estava em jogo agora! Um erro de cálculo na saída da curva do túnel da 9 de Julho e lá estaria eu, mais uma vítima de Mad (que, sem dúvida alguma, sairia ileso do acidente). Sem um pingo de receio ou temor, ele jogava o bus de faixa em faixa, fechando carros e colhendo vítimas inocentes a cada ponto do trajeto. E eu rezando baixinho para chegar logo ao trabalho (quem diria).
Bem, passada a primeira experiência, inesquecível por sinal, acabei me encontrando com Mad em outras ocasiões. Já sem tanto medo como no início, praticamente me sentia um coadjuvante de cada aventura. Não pude mencionar ainda, o companheiro de Mad. O cobrador do bus. Mad, a máquina. Cobrador, o cérebro. Juntos, não me atreví a questionar qualquer troco de passagem ou reclamar uma descida a 50 metros do ponto certo.
Tirando os exageros e brincadeiras acima, só digo uma coisa: EU VI MAD MAX. E você?
Uma homenagem ao Mad,
Tina Turner - We Don't Need Another Hero