09 Maio 2008

Mad Max na Vila Olímpia

Insensível. Amargo. Frio. Calculista.

Sim, estamos falando de Mad Max, o motorista de ônibus da linha Vila Olímpia-10. Pára tudo. Eu, mero mortal, já vi Mad Max ao meu lado. Várias vezes (apenas para compravar a veracidade do fato). E o mais incrível de tudo isso, é que ele é Brazuca e não pilota sua máquina negra e sanguinária movida a diesel através do deserto matando bad guys.

Ele dirige seu ônibus Mercedes Benz (sei lá que ano, mas é velho), sem cinto de segurança, sem medo (fearless man), usando apenas uma das mãos e um olhar de "don't breath, or I'll kill you", digno do blockbuster protagonizado por Mel Gibson, o Mad Max Hollywoodiano.

Na primeira vez que entrei naquele bus, próximo ao terminal Bandeira, às 6:30 da manhã, não cheguei a reparar nas feições e no perfil do protagonista daquele filme de aventura na Cidade de São Paulo. Aliás, quem se lembra de reparar no rosto do motorista ou do cobrador? Enfim, o ponto estava muito cheio e, imaginando que seria a melhor opção entrar por último, para não ficar expremido no corredor (salgada ilusão), entrei no bus. Fiquei limitado à uma pequena área próxima ao ser inanimado e, sentindo os movimentos bruscos e ágeis do ônibus, comecei a reparar na fonte de toda aquela ira.

Como já disse, estava lá ele, sentado e largado, cinto solto ao chão, apenas uma das mãos sobre o volante, a imagem da insensibilidade em seu rosto e muita veia com sangue em seus olhos. Mad Max. Fiquei atônito e paralisado frente a um dos maiores ícones do cinema na década de 80. Mas, ao mesmo tempo, senti um certo frio na barriga. Um medo, de saber que minha vida estava em jogo agora! Um erro de cálculo na saída da curva do túnel da 9 de Julho e lá estaria eu, mais uma vítima de Mad (que, sem dúvida alguma, sairia ileso do acidente). Sem um pingo de receio ou temor, ele jogava o bus de faixa em faixa, fechando carros e colhendo vítimas inocentes a cada ponto do trajeto. E eu rezando baixinho para chegar logo ao trabalho (quem diria).

Bem, passada a primeira experiência, inesquecível por sinal, acabei me encontrando com Mad em outras ocasiões. Já sem tanto medo como no início, praticamente me sentia um coadjuvante de cada aventura. Não pude mencionar ainda, o companheiro de Mad. O cobrador do bus. Mad, a máquina. Cobrador, o cérebro. Juntos, não me atreví a questionar qualquer troco de passagem ou reclamar uma descida a 50 metros do ponto certo.

Tirando os exageros e brincadeiras acima, só digo uma coisa: EU VI MAD MAX. E você?

Uma homenagem ao Mad,

Tina Turner - We Don't Need Another Hero



08 Maio 2008

Bus(Drivers)Stop

"Motoristas de ônibus param e ameaçam greve". Olha, eu pego ônibus todos os dias úteis da semana, não sei você. Imerso na minha ignorância quanto ao assunto, quando paro e leio uma manchete dessas, fico pensando, questionando e preconceituando: "Porque e para quê? Não há mais o que se fazer?".

Isso pode soar, a princípio, com um tom de ira. Mas, ainda assim, não consigo entender uma justificativa plausível para, trabalhadores do serviço de transportes públicos da cidade de São Paulo, conseguirem reivindicar e conquistar seus objetivos (sejam eles justificáveis ou não) através de um movimento que, diretamente e injustamente na minha opinião, atingem um cidadão comum como tantos, e todos os outros cidadãos que, assim como motoristas, garis, fiscais, pedreiros, artesãos e batalhadores, buscam um mesmo objetivo: melhores condições de vida para si e sua família.

Ok, vivemos em um país feito de gelatina sobre cama de pregos (governado por um Molusco), mas, ainda assim, temos que pensar em atos que gerem e reflitam em um bem comum. Que não conflite com o trabalho, a honestidade e dedicação de colegas e desconhecidos companheiros de trabalho. Ainda, envolto em minha ignorância sobre o assunto, imagino por que não são criados abaixos-assinados, projetos pautados pelo sindicato responsável e até mesmo que busquem espaço na mídia (se publicam a greve, porque não publicariam a insatisfação, cobrando as entidades maiores do governo para tomarem alguma medida?).

É certo que, assim como em outros casos sociais, há de se encontrar uma saída benéfica a todos, que não estimule egos e atitudes agressivas. Admiro a paciência e esforço daqueles que trabalham em prol do bem comunitário, e respeito aqueles que sabem usar a mente e as ferramentas que tem em mãos, para consertar o que foi calejado por outras.

E, como o que eu mais quero é chegar em casa (seja de ônibus ou não), uma música que me faz lembrar do meu porto seguro:

Maybe Tomorrow - Stereophonics

07 Maio 2008

Pequeno Post Sunshine

Somos a consequência daquilo que cremos. Ok. E de tudo aquilo que lemos, vestimos e calçamos também? Somos a consequência de todos os nossos atos e pensamentos, ações e reações, pequenices e megalomanias. No entanto, somos também aquilo que não queremos ser as vezes. Paradoxo. Somos, até que se prove o contrário, Pássaro Preto e Arara Azul, engaiolados, limitados a vontade e possibilidade de abertura de nossas asas; acariciados pela ternura de quem cria para jogar fora um dia; admirados pela beleza de nossa peculiaridade para, ao fim, sermos pendurados em uma parede qualquer. De alguém.

Há, então, aqueles que são únicos, não somente pela carcaça e pelo jeito de fora, mas pela atitude, pela alma e pelo coração. A bravura é seu traço ao deixar cada passo para trás, e a serenidade aliada à compaixão, o faz brilhar na ponta da língua e no centro do saber. E, por mais que tente explicar e não saiba por onde começar, você sabe quando um desses passa do seu lado. Já vi alguns. E me sinto seguro e tranquilo em não querer saber aonde estão.
Com certeza, em nenhuma parede de quintal. O parque é amplo, e natural para quem sabe sê-lo.


"Os pássaros constroem seus ninhos, mas nunca deixam de voar"


BlackBird - cover by Sarah McLachlan (From the Movie "I Am Sam")



AS TIME GOES BY